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A cultura como identidade

A dança, o canto, o terreiro como instrumentos de comunicação e afirmação da identidade quilombola...

Jongo, maracatu, coco, batuque de umbigada, congada, terreiros, orixás. Para algumas comunidades quilombolas, tais palavras remetem a uma prática, para outras só estão na memória. E há aquelas que nunca ouviram sequer falar.

Até que ponto as comunidades estão representadas culturalmente. Até que ponto sabem qual o significado de um tambor, de uma roda de jongo ou de um coco. Até que ponto entendem a cultura como comunicação de sua identidade.

 

 E pensar que durante os tempos de senzala, as manifestações populares eram    uma forma alternativa de comunicação e resistência cultural. Já que o corpo  negro era propriedade da sinhá e do coronel, a dança, o canto, as línguas  africanas devolviam o sentido de existência. Era o momento de celebração e  preservação de uma cultura proibida - a negra.

 

 

 "Constituía a continuidade de uma cultura que lhes era negada, uma  cultura que com o transcorrer dos séculos, ficou cada vez mais distante, mas que,  mesmo depois de as línguas africanas terem sido proibidas e mais tarde quase esquecidas, falava de uma época anterior à escravidão. Era a celebração corporal de uma era diferente, antes do grilhão totalitário das Américas. Era  uma performance de memória política" (DOWNING, John. Mídia Radical.p.165)

 

As manifestações populares carregam uma enorme carga comunicativa. A cultura ancestral comunica, traz o reconhecimento e a consciência da identidade negra e quilombola. A cultura empodera, fortalece a luta, valida a dignidade. Renova e afirma a identidade.

 

Na pajelança Quilombólica Digital, pôde-se notar um reavivamento dos tambores, do toque, da identidade cultural que às vezes podia parecer escondida. 

Após as rodas de conversas, chegou a vez do batuque. Começou com uma roda de djembês, ganzás e outros. Um a um, os quilombolas foram se aproximando. Os que já sabiam tocar foram logo tomanado seu lugar na roda. Já os que não sabiam aprenderam lá mesmo, ou melhor, relembraram. 

No ritmo do nanhambingui, as mãos ágeis, ou por vezes, trocadas e desritmadas, iam se soltando, pegando o jeito do manejo dos tambores. E com o tempo, os rostos concentrados iam abrindo-se em sorrisos. Pronto, que o brinquedo da cultura popular estava dado e ia ali comunicando o que é que o batuque tem.

 

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