28 Quilombolas foram Detidos no ES
28 (vinte e oito) Quilombolas foram detidos hoje, no mandado de
busca e apreensão no Sapê do Norte na Comunidade Quilombola de São
Domingos em Conceição da Barra no Espírito Santo, nessa
mesma comunidade nos dias 20, 21 e 22 de novembro acontecerá a sexta
edição do festival do Beiju.
130 policiais (é isso mesmo, não coloquei um zero á mais
não) é esse o número de policiais vindos de alguns municipios, com
caminhões e fortemente armados para cumprir os mandados. 09 (nove)
Quilombolas foram detidos em casa.
Prederam também: 03 Caminhões, 07 tratores, madeiras/eucalipto, motoserras.
Mas o caso em que mais chamou atenção foi um policial que agrediu
uma menor (neta do Berto Florentino, brincante do baile de Ticumbi de
São Benedito de Conceição da Barra/ES) com um tapa no rosto, por
desacato a autoridade.
A desculpa é a madeira (resto do eucalipto) usado pelos
quilombolas para fazerem carvão, mais conhecido como 'facho' e isso
justificaria a agressão como o tapa no rosto de uma criança levou, ao
ver seu avô sendo levado pela 'polícia', disse: que eles não eram homens para levar o avô dela preso. Mulher,
criança, Quilombola, veja o nível da violência e do despreparo da
polícia para lidar com tal situação. E quem não reagiria assim ao ver
um dos seus sendo preso?
Mas é essa a mesma polícia que extermina nas comunidades
urbanas carentes, que tira a dignidade de inocentes com violência. Pra
quem estão trabalhando? Defendendo quais interesses? Defender e
proteger a honra da Aracruz Celulose, ou seja lá qual for seu outro
nome. E nós, quem nos defenderá?
Paralelo a isso saiu a Portaria da Comunidade Quilombola de
São Cristóvão/Serraria em São Mateus/ES, deixando empresas,
fazendeiros e o Movimento Paz no Campo (MPC) de cabelos em pé e prontos
para a guerra, e isso é só o início da intimidação para calar os
quilombolas, bem ao contrário do que o MPC pregam na sua sigla que
nada mais é do que a UDR disfarçada de movimento, apoiada pela bancada
ruralista federal, governadores, prefeitos, vereadores e por aí vai.
Na real os conflitos estão se acirrando, a violência
acontecendo nos quatro cantos do país em todo territorio onde
há comunidades quilombolas, quilombolas sendo assassinados (mas isso a
imprensa não mostra), Quilombolas ameaçados de morte sem proteção por
sua vida entregues a própria sorte, mulheres e crianças violentados
(as) pelo jogo do poder de empresas multinacionais, fazendeiros,
grileiros de terra, poder judiciário, os governos nas suas instâncias,
somos vítimas de racismo explicito num país que prega a democracia
racial camuflada nos atos contra a população negra, smos vítimas no
processo de invisibilidade pelos grandes meios de comunicação que
escondem, mentem descaradamente, colocando seus interesses acima da
verdade e nunca ouvindo o outro lado (nesse caso o nosso).
Por uma questão ainda indefinida no Governo Lula, onde
cansamos de esperar por uma Reforma Agrária que dificilmente acontecerá
nesse século, bem como as demarcações em Terras Quilombolas e
Indígenas. Enquanto isso na sala da Injustiça nos criminalizam, nos
batem, nos prendem, nos matam, nos processam.
Vai ficar pior? Mais companheiros e companheiras vão tombar?
com certeza. Os chicotes estão invisiveis mais nos surram todos os
dias, os jagunços e capitães do mato estão soltos a nossa procura,
nossa cabeça valem ouro e será exposta em praça pública como exemplo
para os demais e os troncos, esses sempre estão de pé. Invisíveis? Será?
Como diz uma famosa canção do Movimento Sem Terra e uma Frase da luta quilombola, que fica mais ou menos assim... E
vamos entrar naquela terra e não vamos sair, nosso lema é ocupar,
resistir e produzir, porque terra titulada é LIBERDADE CONQUISTADA.
"Já estou reescrevendo minha História, para traçar meu futuro, num desejo de conhecer meu povo e descobrir de onde vim.''
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Selma Huíla Nagô ![]()
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