Valeu Zumbi!
GRANDE LIDER ZUMBI

Zumbi dos Palmares
Uma crônica de 1678 dava conta de que os palmarinos eram 20 mil. O governador ia mais longe. Dizia que, na realidade, eram mais de 30 mil. Uma multidão de gente que, além de pôr em xeque o projeto colonial, ameaçava fisicamente a sociedade pernambucana.
Era preciso esmagar Palmares, custasse o que custasse. A Coroa já tinha dado essa ordem em diferentes ocasiões.Havia, ainda, a questão do mito, que incomodava mais que qualquer coisa. Nos engenhos e senzalas, Palmares era sinônimo de Terra Prometida, e Zumbi, considerado imortal, era visto como seu guardião fiel e valente. Para destruir o quilombo, o poder colonial organizou dezesseis expedições oficiais. Quinze fracassaram.
Líder negro, nascido em 1655, no Quilombo dos Palmares, entre Pernambuco e Alagoas, foi o maior símbolo da resistência negra contra a escravidão.
Durante uma expedição contra Palmares, comandada por Brás da Rocha, foi raptado ainda recém-nascido e entregue ao padre Antônio Melo, vigário de Porto Calvo, que o criou sob o nome de Francisco.
Enquanto viveu com o padre Antônio Melo, foi alfabetizado, aprendeu latim e passou a ajudar missa.
Em 1670, aos 15 anos, fugiu e foi morar com o seu povo no Quilombo dos Palmares, onde adotou o nome de Zumbi (que significa guerreiro) e foi acolhido por uma família. Na época, o Quilombo dos palmares era comandado por Ganga Zumba.
A 05/11/1678, quando Ganga Zumba assina um tratado de paz com o governador de Pernambuco, Zumbi não aceita o acordo e com outros jovens guerreiros desencadeia uma guerra civil no quilombo.
Em 1680, manda envenenar Ganga Zumba e assume a liderança do Quilombo dos Palmares, passando a comandar todas as resistências dos negros livres aos ataques organizados pelo governo português.
Em 1685, o próprio rei de Portugal, D. Pedro II, escreve uma carta a Zumbi, propondo perdão a "todos os excessos que haveis praticado contra minha Fazenda Real", desde que o comandante do quilombo e todos os seus capitães aceitassem a condição de fiéis e leais súditos.
Zumbi não responde a carta e os ataques a Palmares prosseguem, inclusive por parte de uma expedição comandada pelo também negro Henrique Dias que teve destaque nas lutas para expulsar os holandeses do Nordeste brasileiro. Mas os negros livres resistem.
Em 1688, chega ao Recife o bandeirante Domingos Jorge Velho (famoso por matar índios e fazer fortuna com suas empreitadas), com a missão de comandar ataque ao Quilombo dos Palmares.
Na primeira investida, comanda mil homens mas é obrigado a recuar ante a reação dos negros. Depois, com o reforço de tropa comandada por Bernardo Vieira de Melo, arrasa Palmares a 06/2/1694. Mas Zumbi consegue fugir, com alguns guerreiros, e se refugia na mata.
Um dos sobreviventes ao ataque contra palmares, Antônio Soares, é capturado em Penedo e, sob tortura, revela o esconderijo de Zumbi que, a 20/11/1695, é morto numa emboscada.
O corpo de Zumbi é levado para Porto Calvo, onde é mutilado; a cabeça é enviada para o Recife, ficando exposta em praça pública, com o objetivo de celebrar a vitória dos escravistas.
Em março de 1997, o nome de Zumbi dos palmares foi inscrito, 302 anos após a sua morte, no Livro de Heróis da Pátria, instalado no Panteão da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Fabricado em aço escovado, até então o livro tinha apenas o nome do inconfidente Tiradentes.
Fonte: www.pe-az.com.br
Tributo
Atualmente, o dia 20 de novembro é celebrado, como dia da consciência negra, dia de orgulho nacional. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros, que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade.
Cronologia
Por volta de 1600: negros fugidos do trabalho escravo nos engenhos de açúcar, onde hoje são os estados de Pernambuco e Alagoas no Brasil, fundam na serra da Barriga o Quilombo dos Palmares. Os quilombos, eram povoados de resistência, seguiam os moldes organizacionais da república e recebiam escravos fugidos da opressão e tirania. Para muitos era a terra prometida, um lugar para fugir da escravidão. A população de Palmares em pouco tempo já contava com mais de 3 mil habitantes. As principais funções dos quilombos eram a subsistência e a proteção dos seus habitantes, e eram constantemente atacados por exércitos e milícias.
1630: Começam as invasões holandeses no nordeste brasileiro. O que desorganiza a produção açucareira e facilita as fugas dos escravos. Em 1644, houve uma grande tentativa holandesa de aniquilar com o quilombo de Palmares, que como nas investidas portuguesas anteriores, foi repelida pelas defesas dos quilombolas.
1654: Os portugueses expulsam os holandeses do nordeste brasileiro.
1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares, neto da princesa Aqualtune.
Por volta de 1662 (Data não confirmada): Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados portugueses e levado a Porto Calvo, onde é "dado" ao padre jesuíta António Melo, este o batizou com o nome de Francisco, passou a ajudar nas missas e estudar português e latim.
1670: Zumbi aos 15 anos de idade foge e regressa a Palmares, neste mesmo ano de 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune, tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo, então com mais de 30 mil habitantes.
1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. Neste ano, a tropa portuguesa comandada pelo Sargento-mor Manuel Lopes, depois de uma batalha sangrenta, ocupa um mocambo com mais de mil choupanas. Depois de uma retirada de cinco meses, os negros contra-atacam, entre eles Zumbi com apenas 20 anos de idade, e após um combate feroz, Manuel Lopes é obrigado a se retirar para Recife. Palmares se estendia então da margem esquerda do são Francisco até o Cabo de Santo Agostinho e tinha mais de 200 Kilometros de extenção, era uma república com uma rede de 11 mocambos, que se assemelhavam as cidades muradas medievais da europa, mas no lugar das pedras haviam paliçadas de madeira. O principal mocambo, o que foi fundado pelo primeiro grupo de escravos foragidos, ficava na Serra da Barriga e levava o nome de Cerca do Macaco. Duas ruas espaçosas com umas 1500 choupanas e uns 8 mil habitantes. Amaro, outro mocambo, tem 5 mil. E há outros, como Sucupira, Tabocas, Zumbi, Osenga, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche.
1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessava a submissão do que a destruição de Palmares, após inúmeros ataques com a destruição e incêndios de mocambos, eles eram reconstruídos, e passou a ser economicamente desinteressante, os habitantes dos mocambos faziam esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques com a palha das palmeiras. E extraiam óleo da noz de palma, as vestimentas eram feitas das cascas de algumas árvores, produziam manteiga de coco, plantavamm milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços. Sendo assim o governador propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os quilombolas de Palmares. Ganga Zumba aceita, mas Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. Além do mais eles tinham suas próprias Leis e Crenças e teriam que abrir mão de sua cultura.
1680: Zumbi assume o lugar de Ganga Zumba em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas.
1694: Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares e onde Zumbi nasceu, cercada com três paliçadas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi consegue fugir.
1695, 20 de Novembro: Zumbi foi traído e denunciado por um antigo companheiro, ele é localizado, preso e degolado aos 40 anos de idade. Zumbí ou "Eis o Espírito", virou uma lenda e foi amplamente citado pelos abolicionistas como herói e mártir.
Dia da Consciência Negra: o que falta para superar o preconceito?
No dia 20 de novembro, mais de 350 cidades brasileiras comemoraram o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida por ser o dia em que Zumbi dos Palmares, líder do mais emblemático quilombo do país, morreu, em 1695.
O objetivo da homenagem é promover a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, como modo de reduzir o racismo e a discriminação.
Um estudo do Dieese, publicado em novembro do ano passado, mostra que o ganho mensal das pessoas negras no país pode ser até 52,9% menor do que o das não-negras. Outra pesquisa, realizada pela Fundação Cultural Palmares, aponta que apenas 4% da programação das três principais emissoras públicas do país (TV Cultura, TVE Rede Brasil e TV Nacional) aborda em entrevistas, programas de auditório e telejornais elementos da cultura negra, mesmo com 49,5% da população ser declarada preta ou parda, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.
Por outro lado, a luta contra a desigualdade tem gerado alguns resultados positivos. A Pnad também revelou que de 1996 a 2006 o percentual de brasileiros que se declaram negros ou pardos no Ensino Superior subiu de 18% para 30%.
Em comemoração ao dia da Consciência Negra, o Jornal de Debates pergunta: o que falta para a sociedade brasileira superar o preconceito?
Enviado por Jornal de Debates em 18. novembro 2008 – 21:00
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